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segunda-feira, 8 de março de 2010

Novas leituras


Li recentemente A República dos Bons Sentimentos, do Michel Mafesoli. O já conhecido espírito esclarecido do autor para interpretar os indícios do que seu tempo tende a projetar para o futuro, extrapola todas as expectativas ao nos mostrar o quanto a vida cotidiana é importante na elaboração de um pensamento/trabalho arrojado e audacioso. O mais importante elemento, segundo ele, é a preocupação genuína com a coletividade. "E por mais paradoxal que possa parecer, a verdadeira subversão teórica consiste em estar sintonizado com o senso comum". O princípio de Habermas - da emancipação - segundo Mafesoli, foi substituído pelo sentido de estar-junto e, nessas condições, propor novas soluções. Não é uma questão de oferecer respostas prontas, já elaboradas desde o século XIX ou nos anteriores, mas criar novas perguntas direcionadas aos valores do cotidiano, obtendo, assim, novas respostas. Entre as várias idéias compartilhadas pela Arquiconfraria, está aquela em que ele cita Jung: "a prática da ciência não é um combate cujo objetivo é ter razão, mas um trabalho que contribui para aumentar e aprofundar o conhecimento".
Na corrente desses pensamentos, gostei muito de um programa criado pelo Alain de Botton, chamado Living Architecture. A inspiração dele é possibilitar que as pessoas experimentem viver em um espaço projetado por arquitetos famosos. As casas estão sendo construídas e poderão ser alugadas por temporada, na Inglaterra. Mais informações
http://www.living-architecture.co.uk
Desse modo, diversos dos elementos que prezamos, como domesticidade, praticidade, conforto, aconchego, etc, quem sabe poderão ser medidos para averiguarmos se nossas decisões arquitetônicas vão de encontro às aspirações humanas ou demandam uma mudança de trajetória.
A foto é de uma casa modernista em Londres, projetada pelo Ernö Goldfinger, na década de 1930. Observem como ela está em sintonia com os demais edifícios da rua, apesar de apresentar uma forma e uma dinâmica totalmente diferentes do entorno. Recomendo a visita. É a única casa modernista tombada pelo patrimônio histórico inglês.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

"Esse mundo é um sistema de coisas invisíveis, manifestadas visivelmente" São Paulo, Epístola aos Romanos I, 19-20

Uma ousadia tremenda. Mais de 290.000 metros quadrados construídos em 24 meses. Isso corresponderia a aproximadamente 10 apartamentos populares (de 40m2) por dia. A primeira laje tomou 46 dias de trabalho, a última, 12. A criação de qualidade no ambiente de trabalho como premissa para a formação de profissionais mais eficientes em uma estrutura de vanguarda. Talvez essa seja uma das provas mais instigantes que a arquitetura poderá nos dar: o quanto o ambiente afeta a auto-estima, o bem-estar, a produtividade e o comprometimento das pessoas. Essa obra, prestes a ser inaugurada, atesta a capacidade da equipe de superar qualquer obstáculo - de déficit de moradia a infra-estrutura urbana - que se coloque entre nós e o desenvolvimento.